É possível projetar mais rápido e errar menos?

Parece impossível, mas a resposta é SIM! Nesse artigo conto como foi possível aumentar 3 vezes a produtividade na etapa de modelagem de ferramentas e reduzir os erros de projeto em quase 90%.

1. Ferramentaria: projeto e processos

Em 2013 comecei a me dedicar ao projeto do produto, a partir do esboço até a seleção do material e design final, ainda durante o período de graduação, dentro da empresa júnior e nos estágios. Aos poucos o projeto de moldes e ferramentas me chamou muito a atenção, e desde 2014 estou vinculado à essa área.

Após o projetar minuciosamente e acompanhar a usinagem de mais de 300 ferramentas – entre elas moldes de injeção de termoplásticosmoldes de fundição e estampos – consegui dados suficientes para parametrizar a etapa de projeto, transformando-a em um processo.

Podemos definir, sucintamente, projeto como um trabalho temporário que produz um resultado único, possui um começo, meio e fim. Já o processo, é um trabalho contínuo que produz resultados padronizados, possui entradas, ferramentas e técnicas para gerar saídas.

No meu caso muitos moldes de peças semelhantes poderiam ser produzidos em menos tempo se deixassem de ser encarados como projeto, pensando em obter um resultado único, mas sim como processo, replicando os parâmetros de sucesso das ferramentas já aprovadas.

2. A Necessidade

Todos nós já percebemos isso: quando acostumamos com um trabalho específico, passamos a fazê-lo de forma mecânica. Durante o projeto dos moldes percebi alguns padrões e estabeleci uma sequência lógica, sem perceber criei um “processo metal”, mas como essa informação estava apenas na minha memória, muitas vezes me vi abrindo projetos antigos para relembrar como havia executado.

Quando mudei de cargo na empresa passei o desafio do projeto em CAD para o novo projetista, que enfrentou uma grande dificuldade tentando acompanhar o ritmo da empresa, que, por sua vez, estava sedenta por novos projetos e quase ficando com as máquinas ociosas.

3. O Manual do Projetista de Ferramentas

Para solucionar o problema de forma eficiente e evitando ao máximo comprometer meu tempo que deveria ser voltado para minhas novas atribuições, resolvi criar uma espécie de Procedimento Operacional Padrão (POP) que batizei de “O Manual do Projetista de Ferramentas”.

O Manual é composto de várias brochuras, sendo cada uma específica para um tipo de molde e uma que contém as definições básicas do projeto: nomenclatura padrão de arquivo, fonte para gravação da marca da empresa nas peças, etc.

A brochura para o projeto de moldes de fundição, por exemplo, compreende em um fluxo, desde a entrada do projeto final da peça em CAD, passando pela elaboração da peça bruta, criação da cavidade, caixas de macho e do teste de montagem para aferição de folgas e interferências. Cada uma das atividades é separada em tópicos e alguns deles são bem específicos para o software paramétrico utilizado na empresa.

4. O Resultado

Depois de seis meses de utilização do Manual do Projetista de Ferramentas pela atual equipe de projetos percebi um aumento incrível na quantidade de moldes modelados em 3D e uma considerável redução nos erros que passaram a ser identificados e corrigidos no papel, onde os são menos onerosos.